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domingo, fevereiro 07, 2010

DEGUSTAÇÃO Nº1

É com imensa satisfação que comunico que, no dia 06 de fevereiro de 2010, durante quente noite de sábado, nós confrades do Klandestinus separamos os homens dos meninos e realizamos nossa primeira e gloriosa degustação de cervejas. Apesar do desfalque de um importante confrade, o qual, cabe ressaltar, esteve todo o tempo presente em nossas lembranças, pudemos nos congraçar perante o espírito de oito respeitáveis brejas, que nos proporcionaram prazerosos, educativos e surpreendentes momentos.

Há muito tempo que tal evento vinha sendo preterido e substituído, ou por experimentações isoladas de uma ou outra cerveja, ou por comemorações regadas a cervejas de menor vulto, visto que alguns de nossos botecos do coração ainda não vislumbraram possibilidades mais requintadas de cardápio. Mesmo assim, pela quantidade de estudo, de informações, e de latas e garrafas violadas, já sentíamos a necessidade premente de galgar um degrau mais alto quanto ao assunto.

Sem mais delongas, vai aqui a lista das cervejas que degustamos, na seqüência em que foram servidas. Disponibilizei , no final do post, uma planilha com dados detalhados de cada rótulo (a mesma que usamos na degustação):




1 - HOFBRÄU ORIGINAL
PAÍS - Alemanha
ESTILO - Munich Helle

2 - HACKER-PSCHORR ANNO 1417
PAÍS - Alemanha
ESTILO - Keller Beer

3 - VOLL-DAMM
PAÍS - Espanha
ESTILO - Marzenbier

4 - FULLER'S IPA
PAÍS - Inglaterra
ESTILO - India Pale Ale


5 - TILBURG'S
DUTCH BROWN ALE
PAÍS - Holanda
ESTILO - Brown Ale

6 - BACKER MEDIEVAL
PAÍS - Brasil
ESTILO - Belgian Blond Ale

7 - WÄLS TRIPEL
PAÍS - Brasil
ESTILO - Belgian Tripel

8 - COOPERS EXTRA BEST STOUT
PAÍS - Austrália
ESTILO - Foreign Extra Stout




É isso aí. Esperamos poder repetir em breve com o time completo.

Só alegria!

Prost!!!

planilha de degustação

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

CERVEJAS EXTREMAS

Faz uns quatro anos parei num bar com meu irmão para tomarmos cerveja. Pedimos o cardápio e vimos que o bar, não contente por vender só chopp, vendia o chopp de uma micro cervejaria que agente nunca tinha visto e que já não me lembro o nome (depois mudaram para Eisenbahn). Serviam de três tipos: claro, escuro e de trigo. “Olha só! Já tomou chopp de trigo?”. Foi a primeira vez que o cabaço aqui tomou cerveja de trigo. E confesso que não vi graça nenhuma, devo ter feito a mesma cara que minha mãe fez quando escutou Eric Clapton pela primeira vez.

Talvez eu não consiga descrever direito o caminho que percorremos, eu e meus amigos, até uma realidade em que não conseguimos beber qualquer cerveja mais barata que uma Heineken sem torcer o nariz, mas posso dizer que foi um dos mais prazerosos processos pelo qual alguém pode passar. E dito isso, digo também que não tenho o objetivo de ensinar ninguém, cada um que garimpe o seu ouro, mas fico feliz se as dicas aqui passadas se tornem úteis para alguém.

Então, só para começar, vão aqui duas curiosidades do mundo cervejeiro. Duas cervejas extremas. Uma é a mais forte do mundo, tipo uma Malt Liquor, com o maior teor alcoólico já registrado. A outra é a cerveja mais amarga do mundo, considerando a quantidade e a variedade de lúpulo presente na fabricação. Uma é rainha do malte, e a outra é a rainha do lúpulo, por assim dizer. Ambas, infelizmente, pelo menos para mim, inacessíveis. Por enquanto.


Founders Devil Dancer Triple IPA

O IBU (International Bitterness Unit) é uma unidade que mede o amargor das bebidas alcoólicas, bastante utilizado na indústria cervejeira. Para se ter uma ideia, o IBU da Brhama do boteco tem entre 8 e 15 IBU, e a Czechvar tcheca tem entre 35 e 45. Essa aqui é fabricada pela Founders Brewing Company em Michigas, EUA e tem IBU 200. Olha a descrição do fabricante:

“A mais complexa, mais inovadora, mais temida e ainda assim a mais reverenciada ale produzida. Maciça na complexidade, o enorme caráter de malte equilibra o insano montante de lúpulo usado para criar este monstro. O maior IBU documentado por qualquer cervejaria, mais do que você acreditaria, e lupulada durante vinte e seis dias ininterruptos com uma combinação de 10 variedades de lúpulo. Perigosamente bebível e deliciosamente má. Desafiamos você a dançar com o Diabo.”



Schorschbrau Schorschbock 40%

A cerveja com maior teor alccólico feita até hoje, principalmente pela quantidade de malte que, como sabem, é o ingrediente responsável pelo álcool através da transformação do amido durante a fermentação. Feita na Alemanha pela Kleinbrauerei Schorschbrau, possui 40% de teor alcoolico. Aí embaixo tem a propaganda e a descrição do fabricante.

“A historic month with a further, barely imaginable beer record!
We at Schorschbräu don’t accept upward boundaries. Therefore we have now set a new beer record with an astonishing 40% ABV.”

“Disponível em garrafas de cerâmica de 330 ml, pessoalmente assinadas e numeradas pelo Mestre-cervejeiro em pessoa. Cada garrafa é selada manualmente com cera e vem em embalagens de madeira com janela transparente em um dos lados.”



terça-feira, fevereiro 02, 2010

LANÇAMENTOS

Aqui vão algumas sugestões de CDs para quem tem vontade de escutar alguma coisa diferente de vez em quando mas não faz ideia do que tem saído nas lojas, que preste. Às vezes porque também não tem muito tempo de ficar procurando, ou porque não sabe direito onde procurar. A ideia, então, é passar aqui algumas dicas, variando o tema de vez em quando. Nesse primeiro post, por exemplo, vão dicas de coisas mais atuais, no próximo, de repente, coloco coisas mais clássicas, e assim vai.

Esses três aí embaixo foram lançados nesses últimos quatro meses:


Them Crooked Vultures - Them Crooked Vultures

Banda nova, mas com cara de projeto, ou seja, sem pretensão nenhuma. Todo mundo conhece os integrantes: John Paul Jones (Led Zeppelin), Dave Grohl (Foo Fighters) e Josh Homme (Queens Of The Stone Age). “Elephants” parece uma coletânea de riffs do Led, e do mesmo jeito que essa, todas as outras faixas tem esse clima dramático, agressivo e irreverente. O tipo de rock que tocava no tape do carro quando o povo saía pra farra.





Pearl Jam – Backspacer

Uma das únicas bandas de rock autênticas que tem mais de dez anos. Como todos sabem, fazia tempo que esses caras não lançavam nada descente. Os últimos discos dessa banda foram meio reflexivos e soturnos demais. Esse não é um Vs., mas vale a pena, tem o profissionalismo e a técnica de uma banda experiente, misturado a um clima adolescente e divertido, sem perder o tom reflexivo e sério. Se você não gostar não terá perdido muito tempo, o álbum só tem 37 min.





The XX – XX

Música eletrônica, que droga, pois é. Não pense que não existe som eletrônico de qualidade. Nem tudo é o que toca na boate. Lembra quando você tinha aquelas ideias de fazer som no computador, com aqueles programinhas, achando que devia ser fácil? Esse disco foi feito por quatro jovens em torno dos vinte, e parece que foi feito assim, mas faz agente desistir da ideia de vez. Não vai ter como repetir a sofisticação minimalista, a criatividade, o tom melancólico suave e introspectivo, e a maturidade desse aqui. Escuta tarde da noite, chovendo, e vê se seu humor não melhora.



domingo, janeiro 31, 2010

INVICTUS

Invictus

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

Quando assisti a esse filme, em princípio não dei muita importância. Pareceu meio simplista no início, mas depois fiquei analisando na minha cabeça as cenas, e vi que algumas ideias do filme são muito concretas.

Semana passada eu assistia à uma palestra, quando foi mostrada a seguinte figura: um canibal, segurando talheres, diante de um caldeirão dentro do qual havia um cara meio que esperando para ser devorado. Seguiu-se, então, a pergunta à plateia: “Existe “evolução” do canibal, a partir do momento em que este passa a usar talheres, enquanto praticando seu costumeiro canibalismo?”

Engraçada a pergunta, já que pressupõe errado o canibalismo logo de cara. O que é certo e o que é errado? Não é uma questão simples, embora pareça. Imagine tudo o que tem que ser considerado: ética, cultura, história, leis, moralidade, senso comum, para que se possa ter alguma segurança quanto a isso. Meu certo e errado nunca é igual ao seu. De qualquer forma, a algum tempo que eu procuro denominadores comuns onde me apoiar. E justamente pensando nesse filme, lembrei que existem alicerces que não podem ser desconsiderados, pelo contrário, precisam ficar cimentados na minha consciência.

“The Man in the Arena” é o título dado a um discurso feito por Teddy Roosevelt em Paris, em 1910. Uma passagem desse discurso foi entregue por Mandela nas mãos de Francois Pienaar, em 1995, antes do início da Copa do Mundo de Rugby, e não o poema Invictus, do escritor inglês William Ernest Henley. Embora tanto o poema quanto o discurso tenham mensagens correlatas.

Todas as pessoas que conviveram comigo, principalmente nesses últimos anos, lembrarão, quando estiverem lendo esses parágrafos, que estiveram comigo na Arena, em várias ocasiões. Não criticaram, não apontaram, mas foram criticadas e foram apontadas, enquanto limpavam os rostos sujos de poeira, suor e sangue. Esse é o nosso denominador comum, nosso alicerce. É o que nos dá segurança. Temos a liberdade de conviver com os nossos iguais, o que se dá de uma forma muito natural, e isso nos basta, então não vamos apontar, julgar e criticar o certo e erado alheio, mas eu sei, e vocês sabem, que nós não fomos covardes, que “diante das garras do destino, nós não vacilamos nem nos ouviram chorar, e sob as pancadas do acaso, nossa cabeça sangrou, mas permaneceu levantada”.

The Man In The Arena

“It is not the critic who counts; not the man who points out how the strong man stumbles, or where the doer of deeds could have done them better. The credit belongs to the man who is actually in the arena, whose face is marred by dust and sweat and blood; who strives valiantly; who errs, who comes short again and again, because there is no effort without error and shortcoming; but who does actually strive to do the deeds; who knows great enthusiasms, the great devotions; who spends himself in a worthy cause; who at the best knows in the end the triumph of high achievement, and who at the worst, if he fails, at least fails while daring greatly, so that his place shall never be with those cold and timid souls who neither know victory nor defeat.”